Maternidade em Madureira prestes a fechar as portas

Prefeitura do Rio anunciou o fechamento da Unidade e prevê fusão
Foto com a vereadora Luciana Novaes e as mães na porta da maternidade

Foto: Divulgação

Por: Douglas Mateus

A Secretaria Municipal de Saúde anunciou o fechamento da Maternidade Herculano Pinheiro, localizada em Madureira, Zona Norte do Rio, com a justificativa de que irá construir uma policlínica no local, que irá oferecer consultas, exames, e pequenas cirurgias que não necessitem de internação. Informou ainda que os funcionários e pacientes seriam transferidos para a Maternidade Alexander Fleming, em Marechal Hermes.

Hoje, a Herculano Pinheiro é responsável por mais de mil atendimentos por mês, acolhendo gestantes do bairro e adjacências, além de prestar atendimento pediátrico e neurológico para crianças com deficiência e acometidas pelas síndromes do Zyca Vírus. Após o anúncio da Secretaria muitos pacientes acharam que a maternidade havia fechado porém, ainda assim, foram realizados 195 partos e 64 atendimentos de recém-nascidos no período de 20 de maio à 20 de junho.

A vereadora Luciana Novaes fiscalizou a maternidade Herculano Pinheiro, no último dia 28 de junho, acompanhada da Comissão de defesa das Mulheres, da Câmara dos Vereadores. Segundo Luciana, o atendimento realizado nesta unidade é essencial pra população carioca:

— Conversei com funcionários e pacientes da maternidade, conheci as instalações e constatei a qualidade dos atendimentos que aqui são fornecidos. Essa Unidade tem uma localização privilegiada, fundamental para o atendimento de muitas mães que residem não só em Madureira, mas também nos bairros e comunidades ao redor. É absurda a ideia do fechamento de um centro de saúde que funciona tão bem. Não podemos, e não vamos deixar que a maternidade seja fechada, pois estamos falando de saúde, estamos falando de vidas! — afirmou a vereadora.

Dados oficiais demonstram que a maternidade de Madureira trabalha com 55 leitos materno e infantil, enquanto na maternidade Alexander Fleming são 70. Portanto, juntas operando com 125 leitos deste tipo. Segundo a Secretaria de Saúde, com a fusão, serão reabertos 35 leitos na Fleming, ficando um déficit de 20 leitos se comparado com o panorama atual. O obstetra Luiz Carlos Ferreira Lourenço, que trabalha na Herculano Pinheiro, ressalta que esse não é o único problema:

Outro fator agravante é que a Herculano funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, enquanto a Alexander Fleming não funciona aos fins de semana, fechando as portas e transferindo todas as pacientes internadas. Vejam o tamanho da perda para a saúde pública da nossa cidade se essa fusão realmente acontecer.

A auxiliar de enfermagem Rose Chagas, se sente indignada com a notícia e emociona-se ao falar do assunto:

— Atendemos a muitas gestantes com gravidez de risco que moram próximo daqui, imagina se elas precisarem se deslocar pra Marechal Hermes. Muitas não terão dinheiro para a passagem até lá. E se for um fim de semana e as portas estiverem fechadas? O que vai acontecer a essas mães e bebês? Isso é um massacre! Não pode acontecer! Herculano fica! — pediu.